Meu querido leitor!

Um velho post, um velho amigo, ainda e sempre querido.

E esse leitor?

Posso imaginá-lo com tantas características individuais, com tantos nomes e cores… a formosa compleição da minha imaginação elegeu você!

É, você que atrás desses óculos de Clark Kent e uns olhos de gato, com uma inocência sem igual; perscruta as páginas originárias dos abismos, infernos e outros mundos de tantos autores.

Tem a exigência lacônica, observa as entrelinhas… mesmo de soslaio ele percebe!

Caminha pela calçada da Avenida Paulista, calcula naturalmente os obstáculos possíveis e continua a leitura. Nada o separa de seus personagens e, de seus autores. Já houve um caso em que foi seguido por uma leitora, liam o mesmo livro e seguiam para o mesmo lançamento. Mas estavam tão atentos às histórias que não conseguiram falar. Destino? Talvez!

Imagino o som delicado das teclas do notebook, está trabalhando. Aí enquanto a página carrega, um ou outro programa faz sabe-se lá o que. Ele acessa os blogs, as páginas dos autores conhecidos, das editoras: o que estão aprontando os seus amigos? Principalmente aqueles que ele costuma aguentar um pouco mais, além do coração!

Ele ainda não tem idéia de como sua beleza é inspiradora! Aquela que lhe foge desapercebida, nos gestos, na concentração, na forma como vira a página do livro… quando afirma sem medo: Não entendo nada do que eles dizem! Eu só leio!

Meu exigente leitor, sabe muito…não precisa ficar vermelho! Sabe mesmo.

O melhor de tudo, é que eu vou saber o que ele acha dos meus escritos, das minhas aventuras no mundo das letras. Sua opinião é lúcida, transparente e muito importante pra mim!

Pela amizade que nasceu de um encanto muito antigo, pelo amor aos autores (uns mais que outros), uma cerveja na Paulista, uma tarde com letras e matemáticas (ainda não entendi o tal do caixeiro viajante)… Só sei que por isso tudo e por você existir, meu leitor preferido, sou feliz e escrevo!

Oi amigo!

Das tantas vezes que me perdi ou me encontrei nos meus caminhos, só tive certeza de que construí algo quando ao redor, vi aqueles seres que chamamos de amigos.

Por hoje, por ontem, por amanhã, por todos os dias que não nos vimos, por todos aqueles momentos incríveis que vivemos e por todos os outros que estão por vir: obrigada!

Até breve!!!

Quotidianos – O Projeto

O Projeto!

O Quotidianos é uma plataforma multimídia que surgiu com o propósito de unir diferentes vertentes da literatura fantástica [ficção cientifica, fantasia, horror e seus subgêneros], das HQs, ilustrações e artes em geral para criar um ponto de referência que se apoie nesses vários caminhos criativos, além de apresentar novos nomes ligados tanto à literatura quanto à arte. No entanto, mais do que contar histórias fantásticas e enfeitá-las com traços e designs inovadores, o Quotidianos quer vir a publico como um diferencial, quer apresentar um conceito totalmente distinto do que é feito hoje: assim, cada história, cada autor | ilustrador irá buscar o mais simples e corriqueiro de seus mundos, porém não o banal no sentido depreciativo, mas aquelas histórias únicas que muitas vezes são deixadas de lado em detrimento do acontecimento maior: a visão do servo, do cuidador de dragões, do coelho fugitivo, do soldado raso, e também o experimentalismo do traço, a forma a princípio incoerente, a colagem, a arte inovadora e fora do padrão dito convencional. Ou seja, o Quotidianos quer apresentar histórias | artes que primem pelo tom cotidiano, porém fantástico, que busquem valorizar o mínimo que se esconde por detrás das grandes aventuras e, a partir dele, criar uma arte totalmente inovadora. Para tanto, ambas as correntes, literária e artística, deverão estar devidamente bem casadas, desenho e texto soando como uma espécie de extensão | complemento um do outro!

Os Participantes!
• Escritores:
o Alliah
o Sumaya Sarran
o Tânia Souza
o Felipe Castilho
o Jim Anotsu
o Cirilo S. Lemos
o Fernando Salvaterra
o Osíris Reis
o Cláudio Parreira
o Rober Pinheiro

• Ilustradores:
o Matheus A. Quinan
o Fernando Salvaterra
o Carlos Cruz
o Alliah
o Carolina Mancini
o Rafael Narchi
o Lucas Zavagli
o Rogério Geo
o Pedro Felipe
o Felipe Mascarenhas

As Histórias!
Contos, minicontos, microcontos, crônicas, minicrônicas, microcrônicas, poemas, poemetos, haicais, histórias seriadas e / ou únicas, cartas, diálogos intrapessoais e interpessoais ou qualquer outra forma de escrita, inventada ou por inventar que abordem todos os aspectos da ficção especulativa [ficção científica (soft e hard, Space Opera, retro & futurismo, time travel, distopia, etc.), fantasia (medievalismo, alta fantasia, fantasia moderna, fantasia urbana, dark fantasy, etc.), horror (terror, suspense, etc.), punks (steampunk, dieselpunk, solarpunk, clockpunk, stonepuck, etc.), New Weird e ficção alternativa (história alternativa, xenoficção, etc.)].

As Artes!
Ilustrações monocromáticas, bicromáticas ou coloridas, artes sequenciais (HQs), desenhos, charges, cartuns, recortes, colagem, montagem, fotografia, aquarelas, grafismos, photoshopismos ou quaisquer outras formas criativas, inventadas ou por inventar, que referenciem o texto ao qual estão vinculadas, porém, que não se prendam às suas fronteiras, mas que, ao contrário, as extrapole, apresentando ao leitor uma visão totalmente nova, complementar ao texto. E, também, artes que convidem o escritor a refletir sobre sua história não contada.
O experimentalismo, nas artes e nas letras, será FORTEMENTE encorajado!

O Site!
As histórias ilustradas serão publicadas de forma continuada, com entrada diária [exceto aos domingos] e contando sempre com uma dupla de escritor | ilustrador, de segunda a sexta-feira, e um escritor convidado, aos sábados. O endereço do site é www.quotidianos.com.br

O Lançamento!
Para marcar o lançamento do Quotidianos, vai rolar uma balada literária sábado, dia 02/03/2013, no Espaço Terracota, Av. Lins de Vasconcelos, nº 1886 [próximo à estação Vila Mariana do Metrô], com música, dança, mash ups musicais, leitura dramática dos textos que comporão o site, vernissage e venda de livros e artes dos participantes.

E a partir de 02|03|2013 acesse www.quotidianos.com.br para curtir, todos os dias, essas novas e surpreendentes pequenas histórias fantásticas!

Pessoas! Do meu querido Rober para vocês, a explicação do Projeto e das surpresas que podemos esperar de algo tão ligado ao nosso dia-a-dia!

 

Quotidianos

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Uma novidade interessante está surgindo na Internet para os apreciadores da boa leitura, uma que nasce com um pé fincado na literatura fantástica e o outro nas artes plásticas.

Apelidado de Quotidianos, o projeto surgiu com o propósito de unir diferentes vertentes da literatura fantástica [ficção cientifica, fantasia, horror e seus subgêneros], das HQs, ilustrações e artes em geral para criar um ponto de referência que se apoie nesses vários caminhos criativos, além de apresentar novos nomes ligados tanto à literatura quanto à arte. Mas o projeto quer ir além. “Mais do que apenas contar histórias e enfeitá-las com traços inovadores, o Quotidianos quer vir a público com um diferencial, quer apresentar um conceito totalmente distinto do que é feito hoje: assim, cada história, cada autor/ilustrador terá como missão buscar o mais simples e corriqueiro de seus mundos, mas não o banal no sentido depreciativo, mas aquelas histórias únicas que muitas vezes são deixadas de lado em detrimento do acontecimento maior: a visão do servo, do cuidador de dragões, do coelho fugitivo, do soldado raso, e também o experimentalismo do traço, a forma a princípio incoerente, a colagem, a arte inovadora e fora do padrão dito convencional”, diz o texto de apresentação do projeto.

E continua, “O Quotidianos quer apresentar histórias/artes que primem pelo tom cotidiano, porém fantástico, que procurem valorizar o mínimo que se esconde por detrás das grandes aventuras e, a partir dele, criar uma arte totalmente inovadora, com ambas as correntes, literária e artística, devidamente bem casadas, desenho e texto soando como uma extensão/complemento um do outro”.

Com lançamento previsto para o início de março de 2013, o Quotidianos terá como casa uma plataforma on-line que unirá texto e arte para narrar essas pequenas histórias. O site terá uma frequência de publicação diária e contará com 10 duplas de artistas, sempre formadas por um escritor e um ilustrador, que ocuparão os dias da semana. Já os sábados serão reservados a escritores de FC&F especialmente convidados para dividir com os leitores, pela primeira vez, as pequenas maravilhas que se escondem por detrás de suas grandes histórias.

Segundo Rober Pinheiro, idealizador do projeto, a ideia é que o Quotidianos seja um espaço de criação e propagação para todas as formas de arte fantástica e, para isso, cada dupla terá total liberdade de criação e as histórias poderão se apropriar de todos os estilos e formatos possíveis. “Independente da forma, se um conto ou uma crônica, se um haicai, um diálogo entre o imaginado e o não-visto ou qualquer outra forma de escrita, inventada ou por inventar, o que interessa ao Quotidianos é a simplicidade do que está sendo contado, que o texto, mesmo aludindo a todos os gêneros e subgêneros da ficção especulativa, da fantasia, do horror, da ficção nova e alternativa, possa apresentar um viés único e preferencialmente voltado para as pequenas mazelas e enlevos do cotidiano”.

Entre os escritores há veteranos e novatos, fantásticos e científicos, alguns já bastante conhecidos e outros estreantes nas letras. O time é formado por Alliah, autora que lançou o recente Metanfetaedro pela Tarja Editorial, Sumaya Sarran, que tem contos publicados nas coletâneas Grimório dos Vampiros e Fragmentos do Inferno, Tânia Souza, com contos publicados em coletâneas como À Sombra do Corvo e Cursed City, ambas pela Editora Estronho, Felipe Castilho, autor do folclórico Ouro, Fogo & Megabytes [Gutenberg, 2012], Jim Anotsu, dos recentes e bastante comentados Annabel & Sarah e A Morte é Legal, ambos editados pela paulista Draco, Cirilo S. Lemos, autor que arrebatou ótimas críticas em seu livro de estreia, O Alienado, Fernando Salvaterra, que teve recentemente um conto publicado no projeto A Fantástica Literatura Queer, Osíris Reis, autor do romance de FC Treze Milênios e de contos publicados nos Volumes Laranja e Verde d’A Fantástica Literatura Queer, Cláudio Parreira, pai do ótimo Gabriel, também lançado pela editora Draco e Rober Pinheiro, que encabeça o projeto.

Dos ilustradores, estão no time Matheus A. Quinan, Carlos Cruz, Carolina Mancini, Rafael Narchi, Lucas Zavagli, Rogério Geo, Pedro Felipe, Felipe Mascarenhas e Fernando Salvaterra e Alliah em dobradinha escrita / ilustração.

Para marcar o lançamento do projeto, vai rolar uma balada literária no Espaço Terracota com música, dança, mash ups musicais, leitura dramática dos textos que comporão o site, vernissage e venda de livros e artes dos participantes.

E a partir do dia 02/03, acesse http://www.quotidianos.com.br pra conferir diariamente as novidades, textos e artes dessa nova iniciativa literária, algo que, pelo time e pela proposta, sem dúvida valerá muito a pena ficar de olho!

Serviço

Balada Literária de Lançamento do Projeto Quotidianos.
Data: dia 02 de março, sábado, a partir das 18h30.
Local: Espaço Terracota.
Endereço: Av. Lins de Vasconcelos, nº 1886 [próximo à estação Vila Mariana do Metrô].
Site: http://www.quotidianos.com.br

Pessoas, essa matéria é do site http://www.outracoisa.com.br, foi escrita por Bruno Accioly. Reposto, pois muito feliz, estou participando do projeto e percebo que fará diferença nos meus e nos seus próximos dias!

Ressurgir

Eis que o Mais Sumaya ressurge. Estou ainda pisando com os pés na areia de um novo tempo, trago tudo que fui, de uma maneira diferente, mas ainda a Sumaya que sumiu e acrescento a ela tudo de bom que encontrou neste mundo paralelo que habitou.

Talvez eu tenha me perdido para reencontrar-me, ou talvez as dificuldades tenham sido maiores para os meus olhos e sentidos do que eram na verdade. Só sei que depois de um ano em meio mergulhada num curso de Moda, muitas vezes sem trabalho e reaprendendo o que é de verdade uma casa tanto física como emocionalmente; vi que as vezes não comportamos e não podemos fazer tudo, que é preciso um foco, um horizonte para seguir e antes de fazê-lo, talvez precisemos parar.

Então, parei, tive que aceitar que algumas coisas estavam fora de lugar e não tinha a menor ideia de quanto tempo demoraria para arrumar a minha vida. Percebi que precisava escolher para onde ir e arriscar-me a seguir. Ir em frente é sempre um desafio e uma aventura. Arrisquei-me, plantei e colhi.

Aprendi coisas maravilhosas sobre as pessoas, como e por que se vestem, o que querem dizer e ser. Vi o design como uma poesia e uma dança antiga que dá forma a tudo que pudermos imaginar. Conheci mestres, conheci novos seres que tornaram-se importantes e estão me ajudando a ser a profissional que quero ser.

Conheci uma face do amor que me fez uma pessoa melhor. Conheci uma Sumaya mais consciente do que ama e do que quer manter na vida. Hoje sei por que amo dançar, ler, escrever, desenhar, costurar e fazer arte com tudo que posso imaginar. Criar com meu corpo, palavras, tecidos, tintas e papéis é como me expresso,  é como quero viver!

Nesta jornada intimista senti muita falta dos amigos, que estavam seguindo seus caminhos. Eu tive que ficar quieta resolvendo a vida e meus desafios, mas lembrei-me de suas vozes alegres e de seus puxões de orelha na hora devida. No meu coração estiveram o tempo todo, fiquei distante, porém a linha invisível que nos ligava sempre brilhou.

Aos amigos que entendem a distância, a necessidade de um casulo algumas vezes na vida, eu agradeço o abraço apertado, o brinde e os reencontros. Aos que ainda não abracei, estou esperando, sem pressa.

E ressurjo como a Fenix, como Mais Sumaya, na literatura, na dança e como profissional de moda.  Sigo no amor e na vida com o fogo da inspiração no coração e no resto dos dias do meu novo tempo!

fenix

Uma estrelinha

Uma  pequenina estrela todas as noites lamentava-se por ser tão pequena. Via sempre tão brilhantes estrelas ao longe, era só olhar, enquanto que para vê-la, provavelmente tinham de fazer muito esforço. Pensando assim, noite após noite a estrelinha entristecia-se mais e mais, chegava a  pedir à noite que a escurecesse e não ficasse com um buraquinho no seu manto noturno. Fazia força para apagar seu mísero brilho,sem sucesso.  Há muito havia perdido a esperança de crescer, pois o tempo passava e notava a presença de novas estrelas já bem grandes, e ela ainda naquele  mínimo tamanho…

Aconteceu que um dia a lua ouviu os lamentos da estrelinha e foi até ela:

 – Diga-me pequenina como podes ser tão egoísta!?

– Egoísta eu! – respondeu muito assustada, olhando para a lua tão cheia como nunca.

 – Há algum tempo tenho ouvido o que dizes, outras estrelas me falaram e não acreditei, então vim pessoalmente ouvir e não gostei nada do que falas.

– Por que não? Quem sentiria falta, sou tão pequenina, o meu brilho é como uma gota nesse imenso mar que vejo todas as noites, se eu sumir a noite ficará mais bela…

A lua tão antiga quanto o mundo olhou como uma mãe para a pequenina e disse-lhe:

– És ainda muito jovem para saber como o mundo funciona, mas saberá de algumas coisas hoje. Vês aquele pequenino barco no oceano, o que acha que seu pescador está fazendo lá?

– Não sei… – a  lua  aumentou a névoa no céu e o pescador parecia desesperado olhando para cima, a estrelinha ficou observando, sem saber por que a lua aumentava a névoa, até que de súbito ela percebeu que o pescador parecia procurá-la. Ela olhou espantada para a lua, e esta percebendo que conseguira sua intenção, dissipou a nuvem, feito isto o pescador viu a estrelinha e emocionado agradeceu ao céu pela pequena estrela que o guiaria para sua casa.

– Ouça pequenina, chamei-lhe de egoísta, pois com suas lamentações nunca parou para ouvir os muitos agradecimentos que os deuses e tu recebes todos os dias. Por ser como és, pequenina e brilhante, a ponta de uma constelação que se diferencia pela sua presença indicando o sul, guias os navegantes para suas casas. Como podes querer escurecer e deixar tentos sofrerem só porque te achas pequena demais? És grandiosa para eles, tu significas a felicidade de reencontrar pessoas amadas.

O jovem pescador é inexperiente perdeu-se pouco antes do sol nascer, não tinha mais água que pudesse beber, alguém que ele muito ama o espera há dois dias com o fruto de seu amor nos braços. O seu brilho foi a sorte dele, senão brilhasses, uma família inteira estaria perdida.

Aprenda pequenina a ver que tudo no mundo é importante e existe uma razão de ser muito além da compreensão dos seres, uma gota de água pode parecer pouco diante de um oceano, mas uma única lágrima de quem se ama já é muito. Sou a lua sei do que falo, aprendas estrelinha com tudo que vês!

Naquela noite o céu e as outras estrelas puderam ouvir uma risada doce e brincalhona, feliz, a estrelinha compreendera sua importância, e que isso não tem grau maior ou menor, apenas somos todos importantes…

 

estrelas

Travessia das águas

Um dia, uma jovem partiu de um lugar sem nome, triste por algo que lhe acontecera e perturbava seus pensamentos.

Não se despediu, correu em disparada e como não conhecia a direção a seguir, adentrou uma estranha floresta, escura como suas esperanças naquele momento e misteriosa como seus próximos passos. Enquanto a atravessava sem diminuir a corrida, suas roupas se rasgavam e seus pés já estavam descalços quando chegou a beira do lago.

O lago brilhante e quieto refletia a lua, como que encantada pelo reflexo e cansada de correr, buscou refúgio na face da Grande Mãe. Somente o som de seu corpo cortando as águas se ouvia e para juntar suas lágrimas ao lago, mergulhou.

Tentou voltar a cabeça para fora da água e respirar, mas uma parede, um teto transparente a impedia. Era como um vidro, uma fina camada de gelo inquebrável, mas não era inverno e segundos antes mergulhara com tranquilidade nas mesmas águas. Bateu com a força que tinha contra o teto e, de repente parou.  Para que lutar, para onde voltar? Não se desesperou, deixou-se levar pelas águas e surpresa percebeu que podia respirar, podia caminhar no fundo do lago como correra pela floresta.

Então seguiu em frente, caminhou por aquele novo mundo que se apresentou a ela. Não lembrava-se do que a fez partir, nem mesmo se havia algo que a faria voltar e continuou por muito tempo sozinha.

Aí, aconteceu que um dia conheceu outros caminhantes como ela, perdidos de suas memórias e medos, sem emoções ou histórias para compartilhar. Ocorreu-lhe que por mais belo que fosse o caminho das águas, com suas cores e seres que jamais vira, não era isso que queria e novamente partiu, deixou seus iguais e seguiu para o outro lado das águas.

E foi conhecendo seres que ouvira nas histórias de sua avó: sereias, belas ninfas, tritões e monstros marinhos. Somente quando lhes conheceu, lembrou-se de que tinha uma avó, um passado. Com eles pôde ouvir outras histórias e aos poucos foi lembrando-se de coisas que fizeram dela triste ou feliz na vida que já deixara para trás há muito tempo.

Um dia percebeu que era hora de voltar, que o mundo que construíra se fora, mas abandoná-lo não era a melhor resposta. Precisou perder-se para se reencontrar. Construiu-se novamente num mundo novo, percebendo o que de belo e verdadeiro havia naquele que deixara tão facilmente para trás. Havia as terríveis ações da vida que deixaram dor onde havia doçura, mas ainda havia motivos para voltar.

Lembrou-se dos amigos que deixara atrás da floresta, dos conhecimentos antigos que estariam completos agora com o que aprendera na travessia das águas. Do quanto ela precisava voltar para continuar seguindo.

Foi assim que seguiu em direção à parte mais ingrime de sua caminhada e subiu para as águas claras. Não havia mais teto ou obstáculo que a impedisse de sair e sob o brilho da lua refletido em seus olhos saiu das águas. A floresta à sua frente já não era mais tão escura, e o mistério de seus próximos passos estava apenas em seu coração.

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Saindo do casulo…

 

Próximo à Primavera, percebo os raios iluminando meus novos passos…

Três longos meses se passaram e uma nova visão se mostra no horizonte. Aprendi muito e o tempo na clausura dos meus pensamentos me fez crescer, ir além das expectativas do antes. O mundo mostrou-se estranhamente pequeno e a surpresas se fizeram diárias, desafiadoras ante o momento único em que estou. Fronteiras mais claras, limites quebrados, estou além do que pensava poder e feliz por finalmente conhecer a complexidade e simplicidade da vida.

Que os amigos perdoem o sumiço e compreendam meu tempo de hibernação e colheita. Há um amanhecer diferente para cada um todos os dias e nem sempre é mesmo brilho que enxergamos no sol.

Uma Sumaya mais consciente de si e do seu lugar no mundo surge, não do nada, não como mágica, mas pela experiência do ver, encontrar-se e se perder nesse maravilhoso e complexo mundo.

Vi tanto e quase nada e nem imagino o quanto ainda a vida pode me dizer ou pedir. Prioridades são difíceis de definir, aí a professora-mor, Senhora Vida, nos dá uma ajuda e nos mostra o caminho nas urgências do dia-a-dia. Uma porta se abre, sorrateira, insegura e de repente tudo que se precisa está lá, as coisas vão acontecendo como devem, sem tantos questionamentos e previsões.

Percebi, então, que não preciso saber de tudo ou questionar o tempo todo o que acontece. Preciso viver as oportunidades que a vida me apresenta e a partir delas, moldar minhas necessidades, me adaptar para descobrir o meu caminho ou os melhores passo a dar nessa dança viva.

E continuando a seguir como sempre, volta ao mundo da internet, ainda Mais Sumaya, para aprender, crescer e dividir e sonhar e tudo o mais que eu possa trazer para esse meu espaço, sempre sagrado e respeitado.

Descobertas – Resumo de Maio

Neste mês, descobri intensamente o quanto a vida pode ser surpreendente e como podemos reagir com medo diante de algo que, por todas as pistas e possibilidades,  só pode ser bom. Que diferentes opiniões se apresentam sem pedirmos e que sem percebermos, as pessoas se metem mais do que devem em nossas vidas.

Descobri que há cicatrizes que doem mais quando tocadas com um beijo e que dançar tango (sem saber) sob o olhar da lua é um encanto do qual não quero me proteger.

Vi que eu não posso fazer tudo o que eu quero, mas o fato de tentar me faz acreditar que posso. Porém, preciso ser objetiva e, mesmo sem querer, determinar prioridades. Isso significa deixar coisas e pessoas para trás por algum tempo, assim como já fizeram comigo. Tudo parece ser uma questão de foco, de necessidade imediata, contraste e contexto do momento que estamos vivendo.

Descobri que há amigos que sabem tanto de mim, que nada dizem e entendem meu tempo de casulo, pois passe qualquer tempo, sempre nos reencontraremos no momento certo.

Neste mês, nunca senti tanto frio e calor antes e minhas crenças se mostraram claras e adequadas ao caminho que escolhi, mas tudo se renova a cada desafio, é como se eu morresse sempre e um pouquinho de mim ficasse, e desse pouquinho tudo se recriasse. O mais complexo, foi perceber que a felicidade também mata e renova, pela simples necessidade de me fazer limpa e plena para entendê-la e me permitir realmente ser feliz!

Este mês as folhas mortas caíram, páginas rasgadas de um livro antigo foram queimadas e uma estação amena diante de um novo horizonte começou. Aceito o novo olhar, as descobertas e o que ainda vou descobrir e construir!

Please, Please, Please Let Me Get What I Want

Good times for a change

See, the luck I’ve had

Can make a good man

Turn bad

So please please please

Let me, let me, let me

Let me get what I want

This time

Haven’t had a dream in a long time

See, the life I’ve had

Can make a good man bad

So for once in my life

Let me get what I want

Lord knows, it would be the first time

Lord knows, it would

Letra e Música: Johnny Marr/Morrissey