Há Anjos em São Paulo

Gabriel,

Sei que, desde que daí parti não lhe dou notícias. As condições difíceis de nossa despedida talvez limitem sua percepção destas linhas, mas, por favor, tente lê-las até o final.

Naquela noite tempestuosa segui para São Paulo, oprimido e cheio de medo. Cheio de esperanças também! Todas as terríveis histórias que me contou sobre a cidade, ecoavam e apertavam meu coração. Não poderia jamais voltar e corri contra o medo, munido apenas dos meus sonhos, para o início de uma nova vida.

Gargalhou muitas vezes, quando lhe falava da nova vida que almejava. Ironizou minha vontade, referindo-se à maldade que me esperava na recepção dos demônios que habitavam essa metrópole. Mas, se há demônios, também há anjos em São Paulo. Muitos!

Tinha razão, as dificuldades foram enormes, a adaptação aos modos urbanos e ainda mais, paulistas, me desanimaram. Porém não tinha outro caminho a não ser tentar… Foi aí que descobri a magia que faz São Paulo ser tão fascinante: os anjos.

Muitos, assim discretamente pela rua, que responderam às minhas perguntas e me ajudaram a chegar em algum lugar. Outros desconhecidos, que perceberam minhas lágrimas e fizeram um gesto de “se quiser, pode falar”.

Os mais belos foram chamados de amigos, os quais, de algum modo, foram me doando aos poucos seus corações, e com eles aprendi a doar o meu.

Nos dias mais tristes pra mim, eles apareciam e me faziam ver o mesmo dia de um modo todo especial. Me deram alternativas aos problemas, que de repente, pareciam pequenos, insignificantes, diante da força que os meus amigos me faziam descobrir.

Há ainda medo, inconstâncias permanentes. Uma luta diária para sobreviver e seguir o movimento eterno de São Paulo. Uma dança louca, num ritmo que preciso seguir sem ensaio.

Essa cidade pode sim nos alienar dos sonhos, até da vida; se olharmos apenas para a chuva que castiga, o trânsito perene de suas noites brancas e dias amarelados.

Posso vê-la de outros ângulos, de muitos becos e esquinas, de múltiplas praças e expressões. Posso me ver perdido ou feliz numa balada,  já viciado nas sombras encantadas da metrópole.

Aprendi a levantar depois de tantas quedas, porque São Paulo me testa. Quer saber até onde vão os meus sonhos…

Continuo seguindo as oportunidades multicores da cidade cinza. Acreditando no apoio desses anjos amigos e, irmãos. Sabe do que estou falando.

Eles não se lembram, mas ainda me lembro, menos à cada dia é verdade, mas me lembro..

Seu, enquanto a recordação não segue o vento, e espero que ainda prezado…

Rafael

Transforme seus demônios em Arte

Sim, a arte que não vemos no dia-a-dia abismal, que nos demove dos caminhos dos sonhos, que nos envolve de sombras com a quais flertamos no íngrime limite entre o que posso e o poço que engole o que queremos.

Sim, a arte visceral que entorpece nossos sentidos ao simples toque com as pontas dos dedos, em relevos imaginários soltos no escuro de nossa vontade perdida, a espera do ponto final do nosso desespero.

Desespero é deixar de esperar… Perdido e envolvido, cego ou morto… Deixar de esperar, de ser seguido pelas sombras, dançar com elas em seu ritmo devasso e hipnótico… Talvez eu a queira muito mais do que ela… Deixar de esperar ser engolido pelo poço, eu posso.

No fundo do mais profundo, sufocado pela esperança negra que se veste de ilusão. Esperar… Esperar o que não se espera, o que não se regenera. Dançar de braços dados com essa arte sombria de pés descalços… Na beira… Na beira do poço, ela pode fazer arte, fazer parte…

Na beira do poço, eu posso ver… Sou poeira, daquelas da estrada, de tantos que já passaram desde a escuridão dos tempos. Veja a dança, da sombra, da poeira e da fumaça… Sim no poço tem fogo, fogo de morte de arte de ressurreição.

De recomeço. Da lama, do sangue e da lágrima… Misture tudo e use como tinta. Abstrato sobre a tela dos dias que se foram. Agora são rabiscos a serem vistos com outros olhos. Com a perspectiva única e inigualável da arte de ver a arte.

A arte que não vemos no dia-a-dia abismal, que nos demove dos caminhos dos sonhos e nos injeta no que realmente somos, dolorosa e cerimoniosamente como a fluidez da alma que nos escorre, que se desprende dos invólucros em que fomos depositados…

Saímos do poço, somos o fogo que engole as sombras que flertam no limite do fim, as sombras, nós também somos.

Parceria de Sumaya Sarran e M. D. Amado

2o Concurso de Minicontos do Estronho

O monstro vai te pegar!!!

Garanto, se você não participar, vai deixar alguns monstros da sua imaginação muito furiosos!

Eles, provavelmente sairão dos domínios já bem conhecidos: debaixo da cama, do armário, etc. E vão ficar te olhando através do espelho quando for se barbear ou dar aquela última olhadinha no visual.

Imagine, você no sofá, meio que cochilando… a  TV sai de sintonia e os chuviscos de cores indefiníveis enchem a tela, de repente uma voz… não, não é o velho filme do Poltergeist, é o seu monstro. Ele quer saber por que ainda não enviou o seu conto para o site do Estronho, por que está perdendo seu tempo deixando as horas escorrerem e com elas a sua imaginação, o seu talento?!

Siga meu conselho, escreva, senão O MONSTRO VAI TE PEGAR!!! Não fique estranho ao que acontece no mundo Estronho!

Falando sério, detalhes do concurso no link abaixo:

http://www.estronho.com.br/concursos-e-selecoes-de-contos/4356-2o-concurso-de-minicontos-do-estronho-2010.ht

Já adianto que os três primeiros colocados receberão livros como premiação e,  no final do concurso, será publicada uma edição especial do fanzine Flores do Lado de Cima em parceria com o Estronho, para divulgar os primeiros 20 colocados.

Animados, eu mais ainda! Não vou esperar os monstros me cobrarem, aguardo vocês!!!

BAZAR TARJA E DRACO

A hora chegou pessoas!!!

Vamos atualizar os títulos, completar as coleções.  Sem paradigmas quebrados ou preços além do imaginário, essas duas editoras em constante crescimento, oferecem aos seus leitores um menu variado. Autores nacionais muito bem selecionados, que nos surpreende sempre.

Livros e batatas muito apetitosas nos esperam nesse bazar… vamos?!

Mais detalhes nas palavras de Richard Diegues:


Segue o convite para o Bazar de Literatura Fantástica anual, que a Tarja Livros promove para divulgar livros e autores.

É uma oportunidade para que os leitores tenham acesso a seus livros favoritos com preços populares, para completar sua coleção.

Esse ano, além da Tarja Editorial, fechamos parceria com a Editora Draco, que também publica livros na mesma área.

Cada vez mais títulos vem surgindo e a qualidade das publicações aumentam gradativamente. Um ótimo 2010 a todos!

Que a cada ano o bazar cresça mais e mais, trazendo a Literatura Fantástica ao alcance de todos os seus leitores.

Contamos com sua presença lá no Bardo Batata, na Rua Bela Cintra, 1.333, em São Paulo, das 17 horas em diante.

Inspiração

Doce, com alma de fada me encanta

não falas, canta

não andas, flutua sobre o mundo.

Tão bela, representas o meu amor e a minha dor,

donde estás ?

Um sorriso de rosa, uma lágrima de cristal

soa em teu rosto e eu quero secar…

A noite me engana,

tua voz ecoa e persigo teus passos, donde estás ?

A lua me prega peças, ela sabe o quanto te amo

e me pergunta,

se ainda sem ver teu rosto, te acredito bela

sem sentir teu cheiro, te acredito flor

sem ver teus olhos, te acredito anjo

sem abraçar teu brilho te acredito amiga…

Como a lua parece contigo

tão branca, tão sábia, sempre me olhando.

Olhas para ela tanto assim ?

Ainda danças com a chuva quando ela cai ?

E quando o sol aparece, dizes teus sortilégios ?

Teus sonhos continuam com sabores ?

Ainda lês minhas canções para ti ?

Te amo em todas as estações da vida,

sem querer que elas mudem,

gostaria que elas fossem mais curtas,

que as borboletas na primavera

me trouxessem tua mágica figura

formosa e única.

Te quero feliz,

pelas estrelas que brilham,

pela lua que beija teus cabelos,

por teu coração cintilante.

Te amo como antes e sempre,

pela luz que me ensinou a buscar,

pelos passos que me ensinou a contar,

por tudo que sou…

Cartas do Fim do Mundo

Caros,

Espero que esta vos encontre muito bem, apesar de não poder dizer o mesmo diante do que fiquei sabendo…

Recebi cartas sobre o fim do mundo. É isso mesmo! O fim do mundo. Uma mais chocante que outra, redigidas de tal forma que só posso acreditar no que dizem. Bem sabem que não  sou facilmente impressionada, mas acreditei em cada palavra e…

Talvez fosse esse o início de um dos textos do livro: Cartas do fim do Mundo.

Textos muito bem selecionados de autores premiados e conhecidos. O escritor e também organizador Cláudio Brites, trabalhou muito bem e conseguiu reunir um time de peso. Pude estar presente no lançamento e conversar com alguns jabutis.

Os variados estilos deram um ritmo gostoso à leitura. O tema foi bem explorado e apesar de não tão impactante diante de tantos cataclismas anunciados e a displicência com que o mundo tem observado os sinais da natureza; as formas utilizadas pelos escritores o deixaram mais atraente. O livro não se propõe a ser um manual de sobrevivência, só nos remete a um tempo, menos improvável do que se pensa e realmente não impossível.

No final, chamo a atenção para a Apócrifa e o apêndice com um artigo de bases científicas, sobre um estudo de vários textos antigos de civilizações diferentes que apontam para o mesmo acontecimento histórico. Nem sei o que pensar…

O livro nos permite de muitos ângulos tirar as conclusões que nos é conveniente. Seja lá como será o fim do mundo e se caso isso realmente aconteça, é melhor ler o livro, por via das dúvidas, um pouco de cultura não faz mal a ninguém!

O leitor

Antes de tudo um MANIFESTO:

Caros escritores,  em breve vou conhecer, a imensa satisfação de trocar livros (o meu pelo seu), como reconhecimento e prestígio à obra.

Porém, não posso calar-me diante da injusta predileção que os autores tem de presentear autores, com seus livros publicados… os leitores ficam lá observando, angustiados e pensando: leio tanto, vou aos lançamentos, acompanho os blogs, torço por mais lançamentos e… o presente óbvio que de vez em quando o leitor espera, não vem… o quê, o quê? UM LIVRO!

Então, em respeito à minha porção sempre leitora e ao meu leitor encantado, prometo, sempre que possível, presentear um leitor.

E esse leitor?

Posso imaginá-lo com tantas características individuais, com tantos nomes e cores… a formosa compleição da minha imaginação elegeu você!

É, você que atrás desses óculos de Clark Kent e uns olhos de gato, com uma inocência sem igual; perscruta as páginas originárias dos abismos, infernos e outros mundos de tantos autores.

Tem a exigência lacônica, observa as entrelinhas… mesmo de soslaio ele percebe!

Caminha pela calçada da Avenida Paulista, calcula naturalmente os obstáculos possíveis e continua a leitura. Nada o separa de seus personagens e, de seus autores. Já houve um caso em que foi seguido por uma leitora, liam o mesmo livro e seguiam para o mesmo lançamento. Mas estavam tão atentos às histórias que não conseguiram falar. Destino? Talvez!

Imagino o som delicado das teclas do notebook, está trabalhando. Aí enquanto a página carrega, um ou outro programa faz sabe-se lá o que. Ele acessa os blogs, as páginas dos autores conhecidos, das editoras: o que estão aprontando os seus amigos? Principalmente aqueles que ele costuma aguentar um pouco mais, além do coração!

Ele ainda não tem idéia de como sua beleza é inspiradora! Aquela que lhe foge desapercebida, nos gestos, na concentração, na forma como vira a página do livro… quando afirma sem medo: Não entendo nada do que eles dizem! Eu só leio!

Meu exigente leitor, sabe muito…não precisa ficar vermelho! Sabe mesmo.

O melhor de tudo, é que eu vou saber o que ele acha dos meus escritos, das minhas aventuras no mundo das letras. Sua opinião é lúcida, transparente e muito importante pra mim!

Pela amizade que nasceu de um encanto muito antigo, pelo amor aos autores (uns mais que outros), uma cerveja na Paulista, uma tarde com letras e matemáticas (ainda não entendi o tal do caixeiro viajante)… Só sei que por isso tudo e por você existir, meu leitor preferido, sou feliz e escrevo!

Hoje, Rober e Thargor

Hoje…

foi um daqueles dias que acordei com uma intensa felicidade. Um sentimento enorme, que ia nos olhos, no sorriso, no jeito nada discreto, na risada fácil… Um simples bom humor, talvez!

Por quê?

pelas boas horas de sono e os sonhos que tive, pelos amigos que voltaram de não tão longe e os que ainda estão tão distantes, ainda voltando da Terra Verde. Pelas palavras que li antes de dormir e outras ao acordar…

Aí, segui para o trabalho e  esbarrei com a rotina de incompetências eficazes. Não foi um esbarrão, foi uma trombada daquelas, em que tudo cai para o lado! Quando te olham como um ET.

Ora, não posso reclamar demais, rotinas administrativas são mesmo uma chatice e não combinam com a facilidade que tenho de dar-lhes o valor devido: rotinas.

É que as vezes é angustiante como as pessoas preferem complicar tudo e colocar uma máscara, chamada função, obrigação, procedimento ou qualquer coisa parecida. Sou prática e muito eficiente, mas o pior de tudo, é que sou FELIZ e, manifesto isso.

Assim, descobri no trabalho uma forma de preconceito que não conhecia… mas iniciei essa história toda de trabalho para dizer o que houve depois do esbarrão:

Rober…

Diante da normalidade burra de certas coisas, a lembrança dos amigos e de suas palavras, batem mais forte do que imaginamos, justamente para lembrar que há muito mais nesse mundo. Que é MARAVILHOSO, saber ver outros mundos e tantas outras cores e letras que iluminam meu horizonte!

Com quase nenhuma diferença, foi isso que escrevi ao meu salvador, com quem busquei refúgio ante aquela alienação corporativa. Talvez o culpado de parte da minha felicidade, já que foi as cenas de sua história, que me fez ter sonhos coloridos de verde e azul intenso. Dos quais saí  impressionada, mais ainda do que quando assistimos Avatar!

Thargor…

A verdade, é que algo mágico aconteceu quando li um certo livro e caí aos prantos, praticamente junto com o personagem. Ele debaixo de um abacateiro, e eu dentro de um trem, lotado da alienação da rotina diária.

Meus dias ficaram mais coloridos e fui devolvida a um tempo que já pensava perdido… Um tempo em que tudo era realmente possível e não havia barreiras para a minha imaginação, onde não havia espaço para me sentir só!

E não estou falando de infância, falo de essência. Aquilo que vai lá dentro, que faz parte da nossa assinatura no mundo. Tempo, não é algo linear. Então falo do tempo como aquilo que impera, que respiramos, que nos envolve e nos governa.

Conhecer o caminho para o Reino Dourado, lutar e chorar com suas personagens foi reconhecer a fortuna, a sorte em meus caminhos, quase uma casa, de onde posso imaginar ter saído há muito tempo atrás…

A emoção inexplicável, o impulso até infantil de devorar o livro e a angústia diante das poucas páginas para o fim; foi uma das melhores sensações que tive na VIDA!

A relação do leitor e sua interpretação do livro é individual, mas garanto que não há como não sentir algo. Seja nas dúvidas corajosas do Deiv, nas suaves e profundas palavras do Éhvarin, na lealdade incontestável de Hariel, na profunda sabedoria de Namesin, no destemor de Dora, na curiosidade de Ezel… O que dizer?!  É genial!

É por isso que você é tão importante meu caro Karma! Réss Fëanáry! Bem vindo à minha vida!

Já fui criança…

Sabe quando observamos crianças brincando e uma delas te olha e sorri? (imagino que isso já tenha acontecido com muitos…)

Então… com esse sorriso me lembrei do meu, de como pensava, de como via o mundo.

Aí fui procurar meus escritos, os que tinham sobrevivido à inquisição da minha mãe, ao menos!

Achei um que escrevi por volta dos onze anos mais ou menos, já não era mais tão criança, mas confesso que demorei um pouco a perceber certas coisas. Hoje, ainda não percebi outras… Vamos ver o que acham:

Sonho

Ontem tive um sonho, sonhei como sonha a criança que vê tudo com olhos de encanto e não tem medo do que desconhece. Corria em uma montanha verde que tocava o céu, ladeada pelo mar que brilhava forte, quase engolindo o sol.

Se ficasse na ponta do pés, tocava uma nuvem fofa de algodão, que trazia a lua pingando estrelas. Girava e cantava, então ouvi: psiu… Era o vento me empurrando para uma extremidade da montanha, onde vi um anjo, como pássaro novo aprendendo a voar.

Seus cabelos negros cobriam seu corpo suave e branco que bailava no ar, enfeitiçando a criança que correndo para seus braços caiu no mar, como Ismália em busca da lua refletida. Lá no fundo, tão escuro,  minha mão tocou uma ostra e quando se abriu, a pérola cortou toda a escuridão.

Quis dá-la como presente ao anjo tão belo, mas exitei, chorei. Já haviam tantas lágrimas na Terra… a ostra se fechou e fiquei só. Então o anjo me puxou da água. E o anjo disse que o único presente que se deve dar ou ter é um coração de criança, que quando somos crianças, tudo se transforma.

O anjo bateu palmas e lindas borboletas me emprestaram suas asas por um sonho, para que eu também voasse e encontrasse quem quisesse sonhar.

Acho que ainda vôo de vez em quando…

Vício?!

Poesia

Depois que toma forma e está no papel

já tem vida e respira o mundo,

não é mais minha e não tenho mais direito sobre ela.


Um filho concebido,

parte minha, mas tem asas e é livre,

voa  de encontro ao infinito.


O que busca?

paz, sonhos, desespero, amor, ódio?

Dá palavras à uma voz,

que grita dentro do poeta.


E  depois que se dá vida, se vicia,

e se o poeta não dá à voz a sua voz,

a sua mão, que corre o papel criando a poesia,

fecha-se travada pela loucura.


A poesia vive no poeta

e o usa para exteriorizar-se,

mas se um dia o abandona

nada mais vive nele

e ele também não vive.