Lembrança…

Como fosse ainda tão claro o sabor daquele beijo,

ela levou aos lábios a mão,

tentando talvez colher tal sensação.

Na face ainda o desejo, enrubescida

com a lembrança dos toques ousados

nos seios desnudados.

Por que tivera tanto medo?

Por que se negara a mergulhar na malícia daqueles olhos noturnos?

Que fosse por um momento perdida, atrevida, mas completa,

que rompesse as barreiras de uma moral incerta,

nos limites de um prazer que seu corpo desconhecia.

Ah! Se pudesse voltar o tempo e se entregar,

se deixar penetrar pela força voluptuosa de um ser,

de um amante escondido num sonho.

Deixar-se levar suavemente e tão de repente

como corta o fio da espada,

abrir-se para a vida como o sangue

que jaz de uma ferida.

Por que não fora louca em busca

da lucidez nos seus braços estranhos?

Rendida pela sede daquela boca

cheia de encantos, de mistérios…

O arrebatamento que experimentou

no caminho dos dedos dele no seu corpo trêmulo.

Ah! Seu corpo parecia chorar,

vibrar por aquele toque muito antes de pensar.

O cheiro dele a inundava de tal forma

que  olhá-lo era como um mar profundo

e imperioso, tragando-a para si.

Ele queria e ela queria…

De olhos semi cerrados ela ainda se perguntava

por que se negara o prazer daquele ser.

Fugira, indiferente aos seus galanteios,

desprezou o fogo dos seus olhos

e acabou por conhecer o amor por outros meios.

Não sentiu falta de seus passos na areia,

não percebeu a fluidez de seus movimentos

e lá atrás um corpo belo de mulher

inerte aos seus lamentos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s