Descobertas – Resumo de Maio

Neste mês, descobri intensamente o quanto a vida pode ser surpreendente e como podemos reagir com medo diante de algo que, por todas as pistas e possibilidades,  só pode ser bom. Que diferentes opiniões se apresentam sem pedirmos e que sem percebermos, as pessoas se metem mais do que devem em nossas vidas.

Descobri que há cicatrizes que doem mais quando tocadas com um beijo e que dançar tango (sem saber) sob o olhar da lua é um encanto do qual não quero me proteger.

Vi que eu não posso fazer tudo o que eu quero, mas o fato de tentar me faz acreditar que posso. Porém, preciso ser objetiva e, mesmo sem querer, determinar prioridades. Isso significa deixar coisas e pessoas para trás por algum tempo, assim como já fizeram comigo. Tudo parece ser uma questão de foco, de necessidade imediata, contraste e contexto do momento que estamos vivendo.

Descobri que há amigos que sabem tanto de mim, que nada dizem e entendem meu tempo de casulo, pois passe qualquer tempo, sempre nos reencontraremos no momento certo.

Neste mês, nunca senti tanto frio e calor antes e minhas crenças se mostraram claras e adequadas ao caminho que escolhi, mas tudo se renova a cada desafio, é como se eu morresse sempre e um pouquinho de mim ficasse, e desse pouquinho tudo se recriasse. O mais complexo, foi perceber que a felicidade também mata e renova, pela simples necessidade de me fazer limpa e plena para entendê-la e me permitir realmente ser feliz!

Este mês as folhas mortas caíram, páginas rasgadas de um livro antigo foram queimadas e uma estação amena diante de um novo horizonte começou. Aceito o novo olhar, as descobertas e o que ainda vou descobrir e construir!

Please, Please, Please Let Me Get What I Want

Good times for a change

See, the luck I’ve had

Can make a good man

Turn bad

So please please please

Let me, let me, let me

Let me get what I want

This time

Haven’t had a dream in a long time

See, the life I’ve had

Can make a good man bad

So for once in my life

Let me get what I want

Lord knows, it would be the first time

Lord knows, it would

Letra e Música: Johnny Marr/Morrissey

Seus olhos…

Fico pensando no quanto me perco no negro infinito dos seus olhos.

Não tenho qualquer certeza de onde me levarão e se quero seguir, mas estou indo…

Prefiro me perder e saber que cheguei em algum lugar, do que ficar parada vendo os outros seguirem.

E não é isso que devemos, precisamos e fazemos? Seguir… seguimos como um rio para o mar, para além do que uma gota pode imaginar.

Somos talvez talhados e nascidos para isso: seguir. Andar na busca de horizontes mais belos, desafiadores, misteriosos…

Há no sangue uma informação de milênios, eras e vidas sobre seguir. No nosso talvez tenha um pouco mais!

Percebi que não tenho medo de seguir e descobrir o que esses seus olhos negros podem me mostrar, me propor.

Assim, continuamos o que muitos antes de nós já fizeram. Seguiram, se perderam e reencontraram!!!

O fio que me liga aos seus belos olhos é como a linha da estrada, em frente, em frente… sempre!

Muito a descobrir, muito a ver e sentir. Seja bem vindo à minha estrada!

Wicked Game

The world was on fire and no one could save me but you.
It’s strange what desire will make foolish people do.
I never dreamed that I’d meet somebody like you.
And I never dreamed that I’d lose somebody like you.

No, I don’t want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
No, I don’t want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
With you (This world is only gonna break your heart)

What a wicked game to play, to make me feel this way.
What a wicked thing to do, to let me dream of you.
What a wicked thing to say, you never felt this way.
What a wicked thing to do, to make me dream of you and,

I want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
No, I want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
With you.

The world was on fire and no one could save me but you.
It’s strange what desire will make foolish people do.
I never dreamed that I’d love somebody like you.
And I never dreamed that I’d lose somebody like you,

No, I want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
No, I want to fall in love (This world is only gonna break your heart)
With you (This world is only gonna break your heart)
No, I… (This world is only gonna break your heart)
(This world is only gonna break your heart)

Nobody loves no one

Letra e Música: Chris Isaak

* pra você *

O gigolô das palavras – Luiz Fernando Veríssimo

Tenho enlouquecido e me divertido com os estudos de Letras. Abaixo um texto que ilustra muito bem as descobertas e encantos que essa nova etapa tem me trazido.  Com vocês: Luiz Fernando Veríssimo

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão !”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover… Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros jáfizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.