Primeiro Passo – Minhas Observações

Devo deixar claro que escrevo minhas observações sobre a peça e que realmente não compreendo muito bem as propostas de dança e teatro contemporâneos.

Creio que eu esteja acostumada a uma linguagem mais quadrada e linear. Tenho a impressão que nessas apresentações embutem tantos significados em tudo, que os mesmos ficam embotados e no final quase nada significaram. É mais ou menos isso que quero dizer!

Não sei também se fico procurando o significado onde não tem nenhum, e fico lá, estática e angustiada tentando entender algo que nada me diz. Percebo o mundo de muitas formas e a dança é uma delas, mas em uma linha completamente diversa da dança contemporânea. Meus estudos das danças étnicas me permitem descobrir os comportamentos, a expressão de um determinado povo e com isso as sementes que plantaram para as outras danças vindouras.

Quando assisto uma apresentação de dança contemporânea, fico impressionada com as técnicas aplicadas e com os usos dos  elementos que compõem o espaço cênico, porém não consigo me encantar e seguir o que é apresentado sem grandioso esforço.

Numa peça que envolve tão ativamente a dança e as linguagens de teatro e dança tornam-se uma, ou apenas outra, me abro para receber e me envolver com a mensagem. Aí, percebo que devo ter algum problema, pois o ruído é muito grande e esta receptora não entende nada!

A segunda parte, que era outra peça, eu entendi! Gostei da simplicidade, dos movimentos sincronizados e delicados, onde os atores confundiam-se tão bem um no outro. Eram completamente diferentes e gêmeos, claro, até as roupas estavam trocadas, o que impactou, pois parecia que metade de um corpo estava no outro… o espaço mínimo utilizado dava a impressão de que o estar tão perto e identificar-se com o outro daquele modo os impedia de descobrir outros passos.

Por causa dessa segunda parte, saí um pouco melhor da peça e com vontade de me arriscar de novo nas propostas das artes ditas contemporâneas.

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